O trabalho espontâneo

"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve."

Mês: setembro, 2010

Composições próprias

Passou desde a visão romântica de Amarante, até a visão quase suicída de Yorke.
Identificou-se com os dois.
Para ele, o amor sempre foi assim, admirável e destruidor.

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Moldurado

O fim de tarde é a minha parte favorita do dia. O horizonte mostra um céu confuso, avermelhado, distraído com o calor do sol indo embora e encantado com os mistérios da lua aparecendo. Nessa hora tudo fica meio estático. O trânsito (parece) mais educado. As buzinas e barulhos urbanos ficam abafados. As padarias e cafés abrem as portas. A cidade ganha uma silhueta poética. A rotina desacelera por alguns minutos. Vem a sensação de que tudo o que tinha para acontecer, já aconteceu. Ao mesmo tempo ainda pode (e por Deus, deve!) ter algo de interessante por vir.

O fim de tarde traz consigo uma paz que inspira, comove e me faz pensar. Me lembra o quanto amo não me importar com nada além de uma estrela descendo e outra subindo, e um céu colorindo e descolorindo em tons de vermelho, mel, amarelo, azul, branco e cinza. A única intrusa que permito me distrair nesse cenário todo é, talvez, a música.

Vontade de fotografar de um ângulo diferente. No fim de tarde tudo fica altamente “fotografável”. Vontade de ligar pra um amigo e conversar sobre isso, mas a maioria deles não se empolgaria muito com o meu eventinho particular. Se o mundo parasse para enxergar fenômenos de tal simplicidade, decerto viver seria menos… asfixiante.

Quando chega o fim de tarde, dá vontade de me arrumar e sair com pessoas específicas. Ou tomar banho, colocar aquela blusa surrada e meias, assistindo filme na sala. Ou simplesmente preparar um café e ir para a varanda contemplando o espetáculo que é ter mais um dia passando da metade e você continuar vivendo nele.

Nada demais. Só mais uma banalidade que não vale mais a pena guardar só pra mim.

Pseudo-ponto

Nesse momento você está sobre um asterisco, um nexo, que guarda todas as suas escolhas.

Aqui nesse lugar você pode escolher a si mesmo e escolher o mundo que lhe aguarda, você pode escolher render seus atuais princípios para subir numa escada de ilusões, pode escolher se manter fiel, e viver uma vida aparentemente livre, a única coisa que não lhe é permitido é abdicar-se da escolha.

Muitos, acredite, muitos estiveram aqui antes de você, homens, mulheres de todas as épocas, inclusive de tempos que ainda virão. Você pode fundir alguns caminhos, mas cada um exclui outro, pense nisso. Veja aquele ali, vai te levar a uma repartição cheia de bolor, solidão e falsos sorrisos, ou então, contemple esse aqui a esquerda, onde você ganha milhões roubando.

Tudo aquilo que é vindouro, é sua responsabilidade.