Retoma. Toma.

Voltou. Acho que voltou. Tomou seu lugar, ganhou forma. Estranho dizer do que ainda não é concreto, mas já tem reflexo no teto do meu mundo. Busquei uma forma de retomá-lo e tenho minhas dúvidas se o fiz da melhor forma. Nós, vítimas, derramamos incompreensões plausíveis. Nada visível, no limite da carne.

Noite ávida.

Permaneço com os olhos atentos, mesmo pescando. Por decisão urgente, hoje, eu preciso de respostas. Mas tudo fica assim, turvo, tendo que deixar que meus outros sentidos se agucem.

Meu peito abre, engulo em seco.

Bobagem, uma questão relativa. Seu reconhecimento imediato se deu no reflexo do café. Estava preso num tronco onde mal cabia.

Junto à poltrona da sala, os olhos se mantêm. Fixam no nada, olhando tudo. Vejo-me. Minha inclinação fora descoberta, e, quando me vi, fugi. No tempo de voar, morei nos seus olhos. Nas vielas da memória, onde te procurei, você surgiu.

Doce. Não temi e minha pupila dilatou. Mãos ansiosas batem rápido. Corri, apaguei as luzes, mas já estava tudo claro. Agora, a delirar, imagino que escrevi sobre seu corpo. Desatinei em cada parte, a me sugar a criatividade. Mantenho-me embebido, aceso, provocado. Arrepiado a contrapelo, perdido dos anseios meus.

Não quero entender. Retomei o perdido. Será que desandei?

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