O trabalho espontâneo

"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve."

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Brilho dos meus olhos

“Eu vi brilho nos teus olhos”. Acho que meus olhos nunca brilharam tanto depois disso. Uma pessoa passa a ser enorme para você quando te olha nos olhos e sorri. Imagina então quando comenta do seu olhar?

Dentre meias palavras eu construí um raciocínio. Quis exteriorizar tudo, mostrar todas minhas ambições e tudo que me movia aqui. Você me olhava nos olhos, parecia fascinado. Interessou-se por minha vida e eu pela sua. Tudo era tão distante e tão intenso. Procurou alternativa para o meu crescimento e te revelei meus sonhos de criança. Minha perna tremeu. Minhas palavras foram tolas. Estive frágil e me permiti. Fui ingênuo e não vi mal nisso, apesar de criar um argumento para minha idade. Será que minha idade foi um problema?

Talvez eu esteja reproduzido tudo a minha maneira, já que o álcool a muito fazia efeito. Você foi meu refugio no meio a todos. E no meio de todos te convidei pro meu cativeiro. Quis ser teu cumplice e quis você como meu maior aliado. Revelei meus pensamentos. Revelei minha inocência e toda minha admiração por tudo que se passava, ao que passou.

“Não repare na bagunça” repare em mim, repare no meu olhar. O ardor de nossos beijos acalentava toda loucura, como heroína. Cedi-me a você e deixei fluir. Agora tudo parece confuso, enevoado, e acho mesmo que nem foi tão bom assim. Você foi bom, me bastou.

No despertar ansiei por sobriedade. Ansiei por concretude. Você se foi. Quero correr pra longe, longe de todos que se foram, que não quiseram ficar. Quero não me envergonhar da minha fragilidade e pensar que minha ingenuidade foi mesmo o que te cativou. Queria saber como foi, saber onde eu errei e o que ficou. Queria não me importar. Quero ver o brilho dos meus olhos e saber a origem pra que eu não me perca. Como ter certeza daquilo que não vejo?

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Eu não tenho a menor ideia de qual título dar para este post

Hoje estava conversando com uma amiga sobre nos permitir para o outro, algo, por sinal, bem complexo. Vi o quão frágil ficamos com a presença do outro, seja pelo toque, pelo olhar, e como a conjunção de todos esses fatores faz com que agimos com a mais sincera das reações. É engraçado que durante o contato nos sentimos enevoados, relativo a um êxtase, quase efeito de uma droga. Essa presença não precisa necessariamente ser física. No mundo de hoje, nos sentimos próximos de alguém mesmo a milhares de quilômetros.

Eu nunca fui um cara muito aberto ao outro, já ouvi de muitas pessoas a dificuldade em saber o que se passava em minha cabeça. Mas acho que de uns tempos pra cá tenho estado mais crente dos meus sentidos e sentimentos, e dar a eles sua devida importância. Não me travo tanto mais e acabo deixando tudo mais fluido. Permito-me para permitir a aproximação do outro.  É mais ou menos assim, e dessa forma vou tentando organizar minhas relações. E acabo me ferrando.

Na realidade essa regra quase nunca dá certo. Tento tomar as rédeas de tudo, tatear o frágil e ser calculista. Cara, que regra? Relação não existe regra. Ao me permitir, ao deixar tudo fluir, me perco na questão “o que de fato eu to sentindo?”. Nunca sei a resposta. Entro num vortex, materializando algo impalpável. Me vejo sem referências, sem o manual de “Como se usar”. Acabo me travando, voltando ao estado inicial, me fechando pra não cair da corda bamba. Talvez eu devesse cair de vez e ver no que dá. Ou então, vai que eu consigo atravessar mais depressa?

Bom, a melhor forma eu não sei, mas é bom descobrir o melhor passo logo. Ou então vou acabar continuando a escrever usando metáforas de slackline.