Pra quê título?

por Serafim Nhoque

De tempos em tempos as coisas que nunca fazem sentido preferem se divertir com medo e loucura. O dramalhão rotineiro deixa de ser mera tolice e se transforma em verdades adoçadas. Tudo gira em torno e isso corrói minha sanidade cada vez mais depressa, cada vez mais forte. A memória agora é inconveniente porque distrai do real. Lembranças são tendenciosas e traiçoeiras. Ficou difícil andar de mãos com pensamentos ilusórios. A mente sente falta de tecido. Frio existencial. Os comportamentos que não compreendo teimam em aparecer agora nas mesas dos amigos, como se esperassem aceitação por se manifestarem entre queridos eternos, entre solidários de cigarros. Manipuladores de sanidade. Amor crônico por todas as pessoas que se sentem sufocadas pelo nada. De repente mil devaneios se chocam na fronteira entre o rude e o apaixonado. A esse ponto não me sinto confortável guardando vazios no completo. Sempre me interessei por prolixidade no prazer, e ele próprio provou que tal coisa não existe. Que sensação deliciosa essa de ignorar o externo e almejar o perigo.

Minha humanidade implora por férias.

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