Ad libitum

por Serafim Nhoque

Sinto-me sujo. Imundo, sem escrúpulos, capaz de enganar os outros para conseguir me enganar. Não me arrependo, o gosto da vitória ainda reina sobre mim. Se tu esperas que ei de pedir perdão, há de crer que quer se sustentar em ilusões. De certa forma, não consigo sentir cheiro de rosas. Minha garganta engole em seco, e minha saliva tem gosto amargo de aspereza. Mais uma vez, parado, em frente ao espelho, tentando entender o porquê de não conseguir mais enxergar o que era de costume. Onde está aquela ingenuidade? Aquela felicidade espontânea?
Consigo entender como tudo sumiu. Eu sou imundo, sem escrúpulos, capaz de enganar os outros para conseguir me enganar. Como posso? Esse não sou eu… Até onde eu sei. O que era demonstrado com tanta facilidade não é mais possível ser visto. Conheceste outro lado meu, no qual, ninguém conheceu antes. Não me arrependo, simplesmente aconteceu. Qual é a escolha certa? Na verdade nenhuma, escolhas certas não existem, apenas existem meios de sofrer menos. Só queria saber que meio é esse.

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