Libertas

por Serafim Nhoque

Voar, eu queria voar. Voar alto, para longe. Deixar todos os problemas para trás, deixá-los no chão. Esquecer tudo. Tudo e todos. Por um instante apenas. E assim ficar leve a ponto de voar. Ir além do mais alto prédio, da mais alta montanha, na busca de sei-lá-o-que. Talvez a procura de mim mesmo. Ou então na procura de nada. Ir além do que um ser humano atreveu chegar. Ver todas as maravilhas desconhecidas. Atravessar as nuvens, sentir o gosto de algodão doce que tanto falam. Desrespeitar a lei da gravidade. Ser livre como um pássaro. Desconectar-me dos pensamentos. Ir aos lugares impossíveis e inimagináveis. Espairecer. Voar como um balão quando solto, até que não seja mais visto pelos humanos. Pensar. E assim, aterrissar, é preciso viver, arcar com as consequências da vida. Viver de uma maneira diferente de que vivia antes de voar, viver mais intensamente, aproveitar cada segundo, aproveitar cada voo antes que seja tarde demais.

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